Congresso volta a debater projeto que dá poderes legislativos a Milei e reforma setor público
“Lei de Bases” do governo foi alterada após ter sido retirado de pauta pelo governo em fevereiro, após veto de diversos artigos Este conteúdo foi originalmente publicado em Congresso volta a debater projeto que dá poderes legislativos a Milei e reforma setor público no site CNN Brasil.

O Congresso argentino volta a discutir nesta segunda-feira (28) o megaprojeto de lei de Javier Milei para reformar a administração pública. O texto declara estado de emergência no país e dá, por um ano, poderes legislativos ao presidente em questões administrativas, econômicas, financeiras e energéticas.
Esta é a segunda tentativa do governo Milei de passar a “Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos” pelo Congresso. No início do mandato, o atual governo mandou um texto de mais de 600 artigos. O texto foi aprovado de forma geral na Câmara de Deputados, mas teve artigos barrados na votação específica e o governo acabou retirando o projeto de pauta.
Apesar da nova versão mais enxuta da Lei de Bases, que agora contém cerca de 230 artigos e do otimismo do governo, ainda há dúvidas se o projeto obterá os votos necessários para chegar ao Senado, onde o cenário para o governismo é ainda mais difícil.
O texto da Lei de Bases, que foi apresentado conjuntamente com um projeto com medidas fiscais, de mais 60 artigos, declara parte das empresas estatais, entre elas a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, como sujeitas à privatização e permite a intervenção, reforma e até dissolução de órgãos e organismos públicos.
O projeto de lei também promove reformas no funcionalismo público. Trabalhadores estatais de órgãos reestruturados ou eliminados ficarão à disposição por um ano, e se neste prazo não forem formalizados em outro organismo, poderão ser demitidos. O texto determina que haverá desconto da remuneração de horas não trabalhadas em caso de greve.
Entre as mudanças propostas, está a autorização de que o Executivo renegocie ou rescinda, por “motivos de força maior”, contratos ou concessões de obras públicas vigentes e assinados antes de dezembro de 2023, “desde que resulte financeira ou economicamente mais conveniente para o interesse público”.
O projeto também modifica a lei trabalhista, aumentando o período de experiência, em que o contratante pode demitir sem o pagamento de indenizações, de 3 para 6 meses. No caso de empresas de até 100 trabalhadores, este prazo será de 8 meses e, para empresas de até 5 trabalhadores, um ano.
A lei proposta pelo governo flexibiliza o tempo de proibição do trabalho de gestantes: mantém a licença da lei atual, dos 45 dias anteriores ao parto, mas permite reduzi-la para 10 dias caso seja solicitado pela gestante. Os dias de licença não usados são acumulados e somados à licença após o parto, também de 45 dias.
Quanto à energia, o projeto muda o artigo que estabelece que o Estado Nacional e as províncias devem receber o mesmo valor pela exploração dos campos de hidrocarbonetos, e passa a estabelecer somente que ambos têm direito a “uma participação” da produção. O texto também inclui a determinação de que “o comércio internacional de hidrocarbonetos será livre” e que, além do regime de importação, o Poder Executivo também estabelecerá o de sua exportação.
Nas obrigações dos concessionários de exploração, o projeto retira o trecho da lei que exige a garantia “da máxima produção de hidrocarbonetos compatível com a exploração adequada e econômica do jazimento e da observância dos critérios que garantam uma conveniente conservação das reservas”.
Este conteúdo foi originalmente publicado em Congresso volta a debater projeto que dá poderes legislativos a Milei e reforma setor público no site CNN Brasil.
Qual é a sua reação?






